E a resposta que me lembrou que ainda tinha tudo
“Tenho uma novidade (…) vou-me separar. Ele já está à procura de um sítio para sair de casa (…) estou na merda. Sobretudo com dois bebés pelo meio. Só penso neles e só me dá vontade de chorar (…) estou destroçada. Mesmo mal. Sinto-me sozinha. Sem chão. Sem saber o que fazer. Queria partilhar isto com vocês. Adoro-vos. E preciso de todos”.
Foi esta a mensagem que enviei ao meu grupo de amigos mais próximo no dia em que ele disse que queria a separação.
Lembro-me de olhar para o telemóvel depois de carregar em “enviar”. E de pensar que, a partir dali, já nada ia voltar a ser igual.
A resposta não tardou. Foi imediata. E não foi só uma resposta. Foi presença.
Começaram por ligar. Um a seguir ao outro. Depois organizaram-se sem eu pedir. Criaram uma espécie de calendário invisível onde, de repente, eu deixei de estar sozinha todos os dias.
Vieram. Fizeram as malas. Ajustaram as rotinas. Cancelaram planos.
Sozinhos, em casal, como podiam. Mas vieram.
Sentaram-se comigo no sofá sem pressa. Ouviram tudo, mesmo quando eu repetia as mesmas coisas vezes sem conta. Abraçaram-me quando as palavras já não chegavam. Choraram comigo!
Brincaram com os meus filhos como se nada estivesse a acontecer. Trouxeram presentes para eles. E comida para mim. Daquela que não se pede, mas que chega na hora certa.
Houve noites em que não dormi sozinha. E dias em que, mesmo sem ninguém em casa, sabia que bastava uma mensagem para não cair.
Ligaram-me à distância quando não podiam estar. Mandaram mensagens. Áudios. Pequenos “estás bem?” que, naquele momento, significavam tudo.
Eu não pedi tanto. Nem sei se alguma vez saberei agradecer assim. Nem sei, sequer, se sinto que merecia tanto.
Mas sei isto: no momento mais frágil da minha vida, os meus amigos trouxeram-me de volta o amor que eu achei que tinha perdido. Rodearam-me. Como uma espécie de cerca invisível. Daquelas que não prendem. Protegem.
E foi aí que percebi: eu não estava tão sozinha quanto pensei. O amor não acabou. Só mudou de forma. E, no meu caso, está muito em vocês. Amo-vos. Mais do que consigo explicar. Obrigada por não me deixarem cair.

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