Há pessoas que cuidam dos nossos filhos… e sem saber cuidam um bocadinho de nós também

Hoje percebi isso outra vez

No outro dia escrevi sobre o Dia da Mãe. Sobre o vazio de o passar longe do meu filho mais velho. Sobre acordar e não o ter ali para me dar um beijinho, um abraço apertado ou aquelas pequenas lembranças feitas na escola que todas as mães guardam como tesouros.

Doía-me sobretudo isso. O não viver aqueles momentos com ele.

Entretanto ficou doente. Varicela. Passou dias em casa comigo e só hoje regressou à escola. Ia feliz. Muito feliz. Com saudades dos amigos e de quem dele cuida. Mas havia ali qualquer coisa mais. Uma excitação diferente que eu não estava a perceber bem. Só percebi quando entrámos.

Antes de ficar doente, tinha andado a preparar surpresas para mim, para o Dia da Mãe. E estava há dias a dizer-me: “Mãe, tenho uma surpresa para ti. Mas só posso dar na escola.”

Hoje foi finalmente o dia. Deu-me uma mala personalizada feita por ele. Lá dentro estava um desenho dele colado numa folha feita de caixas de ovos. Também tinha uma t-shirt pintada por ele. E um desenho gigante meu, com uma descrição atrás que ditou à educadora.

A seguir ainda pintámos juntos uma galinha e escrevi algumas coisas de que gostava nele. Como se fosse possível enumerar tudo num pedaço de papel. Fizemos um chapéu com aquilo e tirámos fotografias os dois.

E eu olhava para ele… tão feliz. Tão orgulhoso. Tão entusiasmado por finalmente me poder entregar tudo aquilo. Percebia-se o carinho com que viveu cada detalhe. E eu saí de lá emocionada. Porque naquele instante senti que afinal não tinha perdido completamente o meu Dia da Mãe. Ele só tinha chegado atrasado.

E talvez até tenha chegado na altura certa. Num momento em que eu precisava mesmo daquele amor.

Já admirava muito o trabalho da educadora dele. A paciência. O cuidado. A forma como olha para os miúdos. Mas nesta fase da minha vida tudo isso ganhou outro peso.

Porque há profissionais que ensinam. E depois há pessoas que acolhem. Que percebem sem ser preciso explicar muito. Que ajudam os nossos filhos a guardar a infância bonita mesmo no meio das mudanças grandes da vida. Que criam memórias felizes sem fazer ideia da dimensão que elas têm para nós.

E hoje senti uma gratidão enorme. Pela forma como ajudou o meu filho a preparar cada surpresa. Pela forma como protegeu aquele entusiasmo dele. E talvez até por me ter devolvido, sem saber, um bocadinho de um dia que eu achava que tinha perdido.

Há mesmo pessoas especiais. E às vezes aparecem nas salas de jardim de infância dos nossos filhos.

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